[[legacy_image_51899]] Na mesma semana em que os analistas econômicos se empolgaram com o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre mais robusto, o tradicional risco da seca de meados do ano volta a ameaçar a economia. Deve-se lembrar que o racionamento de energia do Governo FHC completa 20 anos e, nesse tempo todo, o País não fez a lição de casa, reflexão da imensa dificuldade brasileira de planejar e acompanhar a passos largos o desenvolvimento das outras grandes economias. É inegável que as mudanças climáticas impõem novas demandas e, portanto, como esse tema está associado ao aquecimento e, consequentemente ao maior uso de equipamentos de refrigeração, os últimos governos deveriam ter trabalhado mais pela sustentabilidade energética. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em entrevista à Folha de S. Paulo, lembrou que a estação seca vai até setembro e outubro, quando o calor aumenta e os moradores das grandes regiões metropolitanas começam a usar mais o ar-condicionado. Até lá os reservatórios poderão estar bem mais vazios do que agora, em especial, os da bacia do Rio Paraná, que atende a porção mais populosa do País, sendo castigados pela estiagem. Enquanto o problema se agrava, o ministro discute com a indústria evitar consumo de energia durante os picos do dia e, também, acionar as térmicas, cujo uso aumenta a conta de luz por serem mais caras, além de mais poluentes. O governo também já emitiu decretos para facilitar a contratação de energia dessas termelétricas e de hidrelétricas, o que é uma boa iniciativa. Entretanto, em todos os casos, vai haver um custo extra ao sistema e consequentemente um entrave para a retomada da economia. Aliás, se houver necessidade de racionamento, deve-se dar adeus ao crescimento econômico neste ano. Apesar deste governo não ter demonstrado preocupações ambientais, o setor privado acelerou nos últimos dois anos os investimentos em matrizes sustentáveis, como a eólica ou fotovoltaica. A disponibilidade de ventos e muito sol no Nordeste é aproveitada por investidores que aceitam correr o risco do setor, mas infelizmente o poder público não se preparou como a China, muito adaptada ao planejamento. No país asiático, como a falta de água potável, o consumo energético e a poluição são problemas em escalas bem superiores às brasileiras, o regime comunista busca de forma maciça fontes alternativas ao mesmo tempo em que estimula a produção de equipamentos. Por isso, a China é hoje a líder mundial dessa indústria e até produtos domésticos ou corporativos associados à energia solar se espalham pelo mundo. Notadamente, o Brasil dormiu nesse ponto e ainda não aproveita esse segmento. Se o atual governo mal consegue tocar a privatização da Eletrobrás, uma estatal que não dá conta de atender as necessidades do País, é previsível que não tenha feito algum plano razoável até este terceiro ano da atual gestão.