[[legacy_image_299296]] Toninho Campos é empresário e dono de um dos cinemas mais tradicionais de Santos: o Cine Roxy. Fundado em 1934, esse é um dos cinemas de rua mais antigos do País e, no próximo ano, completa 90 anos. Quando o Cine Roxy chegou em Santos e abriu as portas, era algo muito diferente, nos moldes dos Estados Unidos, com salas climatizadas, arquitetura diferente... Me explica um pouco como era naquela época. Na realidade, o Roxy tinha até o teto retrátil, que abria nas noites mais estreladas. Ele foi o primeiro cinema do Gonzaga, já que os outros primeiros cinemas eram todos na Cidade (Centro). Naquela época, as pessoas moravam na Cidade e tinham casa de praia no Gonzaga, e o Roxy foi o primeiro cinema de lá e o mais moderno. Tudo começou com o seu avô, né? Como foi essa história? Dizem que ele veio para jogar futebol no Santos, naquela época era amador, mas sempre tinha uma coisinha diferente. Acho que eles recebiam alguma coisa. Mas dizem que ele fundou o Cine Roxy depois que se associou com outros empresários e eles fizeram o Cinema de Santos e mais uma empresa. Juntos, dominaram o mercado de cinema na Cidade a vida toda. (...) Na realidade, comecei a trabalhar (na adolescência) na bomboniere (do cinema), pois meu pai achava que eu tinha que começar conhecendo. Depois, eu fui fazer faculdade de Cinema na Universidade de São Paulo (USP), mas não aguentei ficar lá, pois era o tempo dos “ista”: ou era esquerdista, direitista ou agente do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Eu não me envolvia. Aí, eu saí e vim fazer Economia aqui em Santos. A sua família tinha um grupo de cinema? Não só em Santos? Na época, eles se associaram: um grande amigo do meu pai, que era o Araújo, pessoal de Botucatu; Passos e Araújo, que eram sócios, mais o Emilio Pedutti, que era de Botucatu também e vice-presidente do Banco do Estado. Juntos, eles fundaram uma empresa e alugaram o cinema do Olivio Bruni, que estava alugado para a Columbia. Eles começaram a comprar filme na Europa para distribuir. A ideia era a seguinte: o principal custo do cinema é que o filme leva a metade da renda. Então, se você tem o filme e o cinema, a renda é toda sua. Eles alugaram cinemas em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, e eu fui para Porto Alegre para administrar o de lá. Quando eu cheguei, eram 12; fiz uma sociedade lá e passamos a ter 18 cinemas na cidade. Mas eu era um moleque. Tive que me virar, pois o pessoal mais antigo era meio complicado. Em meio a toda essa vivência no cinema, você também tinha um hobby. E disso houve uma inspiração que se transformou em documentário. Gostaria que você falasse um pouquinho de como foi isso. Era o surfe. Depois que eu fui para Porto Alegre, eu parei. Fui para São Paulo, Juiz de Fora, aí não tinha como continuar. Quando eu voltei para Santos, eu voltei com tudo. Ainda estava trabalhando em São Paulo, mas, quando eu estava no Litoral, pegava onda de manhã na Praia de Pernambuco (em Guarujá), aí depois pegava o carro, ia para São Paulo e trabalhava de tarde. Essa foi a época do auge do tempo que eu estava pegando onda. Aí, me envolvi com o Menino do Rio. Esse filme ficou na história, pois deu mais público em Santos do que em São Paulo. Eles cometeram o erro de lançar o filme em janeiro, e tava todo mundo aqui. Eu lembro que fiquei exibindo esse filme de janeiro até o final de março. Também foi quando eu comecei a me envolver com o marketing em Santos. Eu tinha publicidade na tela, naquela época não havia TV local, era só em São Paulo. Então, o cinema era uma saída para os anunciantes. Você também criou uma ação junto com o Menino do Rio. Como foi isso? Eu fiz um campeonato de surfe (...) na Praia de Pernambuco. (...) O campeonato foi um sucesso, e melhor: deu onda em Pernambuco. O que o cinema significa para você? Eu aprendi muito com o meu pai, mas quem me ensinou mais de cinema mesmo foi o Francisco Verde Martini, o Gilberto Araújo... O Chico tinha uma frase que é: “O cinema, você paga sem saber o que você vai ver, sai sem levar nada, mas um filme pode mudar a sua vida”. Então, ele é uma fábrica de sonho que nunca vai acabar.